A nossa Escola de pão será sempre uma Escola em Bruto, porque todos somos, desde há pelo menos 14.500 anos, de uma forma ou de outra, permanentes auto-didactas do pão.
Na Escola em Bruto, interessa-nos, não apenas o conhecimento que se aprende nas Escolas tradicionais e profissionais, mas também o saber que se transmite de geração em geração, de pessoa em pessoa, fora das salas de aula. Consideramo-nos, por isso, Brutos – tão em Bruto, quanto os artistas da arte Bruta revelados por Jean Dubuffet em 1945. Assim como são Brutos muitos dos preciosos padeiros, agricultores, e moleiros, auto-didatas, que vamos encontrando pela estrada fora e com quem vamos aprendendo o que sabemos. Nesse sentido, o Projecto Bruta, apesar de privilegiar e de augurar o uso de farinhas sem aditivos, e produzidas por uma agricultura biológica, de preferência regenerativa do solo, também se interessa por aqueles lugares onde há gestos manuais e práticas que trabalham farinhas adulteradas: temos consciência que não podemos despejar o saber de mãos Brutas com a água das lavagens.
A Escola em Bruto é uma plataforma de ensino e consultoria, dedicada ao Ecossistema do Ciclo do Pão. Facilitarmos o acesso a informações úteis e organizadas sobre o fazer do Pão ‘esquecido’. Promovemos aulas e oficinas presenciais, e/ou on-line, que incidirão quer nas perspectivas históricas, geográficas ou antropológicas, quer nas perspectivas mais práticas e do quotidiano, quer também, por exemplo, nas visões mais científicas e contemporâneas, relacionadas com a deterioração ou melhoria da saúde ligada ao consumo de grãos, pão e derivados. Interessa-nos explorar do Pão enquanto Mantimento, mas também enquanto Medicamento*.
A Escola em Bruto, as suas aulas, receitas e roteiros, está fortemente relacionada com o Mapa do Ciclo do Pão em Portugal, no âmbito abrangente do Projecto Bruta: conhecer, ouvir, registar, partilhar.